diálogos da transição

Ambientalistas temem “roteiro de prateleira” para fim dos combustíveis fósseis

Em carta aberta ao presidente da COP30, 114 organizações pedem participação social na construção de roteiro para fim dos combustíveis fósseis

22.11.2025-Presidente da COP30 durante plenária de encerramento.  Foto de Antonio Scorza/COP30

22.11.2025 - Belem - COP30 President Andre Correa do Lago during closing plenary meeting of the 30th Conference of the Parties (COP30). Photo by Antonio Scorza/COP30
22.11.2025-Presidente da COP30 durante plenária de encerramento. Foto de Antonio Scorza/COP30 22.11.2025 - Belem - COP30 President Andre Correa do Lago during closing plenary meeting of the 30th Conference of the Parties (COP30). Photo by Antonio Scorza/COP30

NESTA EDIÇÃO. Organizações cobram participação social do mapa do caminho para a transição dos combustíveis fósseis.

Produzido pela presidência da COP30, roteiro deve ser entregue até a próxima conferência, no final de 2026.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

Mais de uma centena de organizações da sociedade civil ao redor do mundo divulgou uma carta esta semana, endereçada ao embaixador André Corrêa do Lago, cobrando participação na construção do mapa do caminho para o afastamento dos combustíveis fósseis.
 
O grupo teme que o documento a ser elaborado pela presidência da COP30 siga os mesmos moldes do roteiro entregue no ano passado para destravar US$ 1,3 trilhão para países de renda média e baixa fazerem sua transição — “um documento destinado à prateleira”, criticam as 114 organizações.
 
“O roteiro para o fim dos combustíveis fósseis deve ser um processo real, transparente e participativo, que reflita as realidades vividas por aqueles mais afetados e ajude a traduzir compromissos globais em ações críveis e em implementação acelerada”, defende a carta aberta (.pdf).
 
E menciona a conferência convocada pela Colômbia para discutir o tema, em abril deste ano, como uma plataforma para contribuir com o relatório.
 
A cobrança por participação de indígenas, comunidades locais e afrodescendentes, além de nações do Pacífico e da América Latina carrega uma percepção, por parte desses grupos, de que as discussões climáticas vêm sendo capturadas por interesses da indústria fóssil.
 
Ao mesmo tempo, a corrida por recursos energéticos para alimentar uma demanda que só tende a crescer adiciona novas pressões — e dúvidas — sobre a capacidade de o mundo prescindir de óleo, gás e carvão na velocidade que a crise climática impõe.
 
Mesmo os investimentos em transição energética superando os fósseis pela segunda vez consecutiva em 2025, com US$ 2,3 trilhões, os principais produtores de óleo, gás e carvão estão planejando expandir sua produção no curto prazo.
 
A carta chega na esteira de uma mensagem divulgada há uma semana por Corrêa do Lago, onde o presidente da COP30 defende a “evolução” do multilateralismo climático em meio a um ambiente geopolítico conturbado. 
 
“Embora a Presidência da COP30 tenha antecipado a evolução do multilateralismo como uma prioridade, jamais imaginei que desafios geopolíticos e socioeconômicos tornariam essa agenda tão urgente, em tão curto espaço de tempo”, observa.



Os primeiros 31 dias de 2026 foram marcados por uma série de eventos extremos: tanto políticos quanto climáticos.
 
A invasão dos EUA à Venezuela em busca de petróleo e às ameaças de Donald Trump sobre a Groenlândia para extrair recursos minerais e obter uma nova rota marítima influenciaram um acordo entre a União Europeia e o Reino Unido para a instalação de 100 GW de eólica offshore “para escapar da montanha-russa dos combustíveis fósseis”. 
 
Enquanto acordos comerciais China-Canadá e UE-Índia reduziram tarifas sobre veículos elétricos e energia limpa. 
 
Por outro lado, calor extremo e tempestades de inverno afetaram milhares de pessoas em diferentes partes do mundo, assim como o fornecimento de energia.
 
Um relatório (.pdf) publicado em janeiro pela Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, em inglês) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que eventos climáticos extremos estão ampliando a pressão sobre o sistema energético.

Ao mesmo tempo em que a presidência da COP30 trabalha em um “mapa do caminho” para subsidiar transições em quase 200 países membros da conferência — ricos, pobres, com petróleo, sem petróleo — o Brasil também prepara o seu.
 
Encomendadas pelo presidente Lula (PT) em 8 de dezembro, as diretrizes devem ser apresentadas até o final desta semana, a menos que o prazo seja prorrogado.
 
Por aqui, a sociedade civil também cobra participação. Na semana passada, organizações apresentaram uma moção para incluir o Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte) na elaboração das diretrizes, mas o pedido não foi votado por “falta de tempo”.
 
Dias antes, o Observatório do Clima chegou a divulgar uma lista de recomendações encaminhadas ao governo para compor o documento. Entre elas, um cronograma para o fim dos leilões de petróleo.


Roadmap de taxonomias. O subsecretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda, Matias Cardomingo, foi eleito para a presidência do Comitê Diretor do Roteiro da Taxonomia. O objetivo é alinhar iniciativas internacionais e apoiar países emergentes.
 
Estímulo a biodigestores. A Câmara dos Deputados aprovou na retomada dos trabalhos em 2026, na segunda-feira (2/1), a medida provisória 1313/2026, que cria o Gás do Povo, com as emendas incluídas durante a discussão na comissão mista. Uma delas garante estímulos a biodigestores para para cocção com biogás. O texto está em análise no Senado.
 
Fraude de combustíveis. Inmetro ANP iniciaram, nesta terça-feira (3/2), a Operação Tô de Olho — Abastecimento Seguro. A meta é fiscalizar fraudes “na qualidade e na quantidade” do combustível vendido por cerca de 180 postos. Se confirmadas as práticas criminosas, os postos autuados estão sujeitos a multas de até R$ 5 milhões.
 
Terras raras nos EUA. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um projeto para criar uma reserva americana de minerais críticos de US$ 12 bilhões, visando minimizar a dependência da China. Chamado de Projeto Vault, a reserva terá US$ 10 bilhões de financiamento do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos e US$ 2 bilhões do setor privado. 
 
Estágio na Shell. Com inscrições abertas até 27 de fevereiro, a Shell Brasil está com 16 vagas para seu Programa de Estágio. As oportunidades estão distribuídas entre as áreas de Trading (comercialização de energia), Operações, Poços, Comercial, Jurídico, Geologia e Exploração, Logística, Compras e Finanças. 
 
Trainee offshore. A Constellation está com inscrições abertas para a nova turma do Programa Trainee Offshore, com vagas nas áreas de Manutenção, Perfuração e Operações Submarinas, sendo 50% destinadas a mulheres. Com investimento aproximado de R$ 5 milhões, a capacitação combina formação técnica e vivência prática em até 21 embarques nas unidades da companhia. As inscrições vão até 4 de março pelo site.

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