Transporte de gás

ANP aprova desconto nas tarifas de gasodutos de longo prazo para dar mais competitividade a térmicas no LRCAP

Desconto valerá para todos os carregadores (e não só térmicas) que fechem contratos firmes de saída de, no mínimo, dez anos

ONG aciona Justiça contra leilão das térmicas da Eletrobras. Na imagem, termelétrica a gás Santa Cruz, incluída na MP 1.031/2021 -- da privatização da Eletrobras (Foto: Furnas/Divulgação)
Termelétrica a gás Santa Cruz (Foto: Furnas/Divulgação)

A diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta sexta-feira (30//1), em circuito deliberativo, a criação de um desconto de 15% nas tarifas de transporte de gás natural de longo prazo.

O objetivo é aumentar a competitividade das termelétricas conectadas à malha de gasodutos no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), previsto para março.

Por uma questão de isonomia, no entanto, o desconto valerá para todos os carregadores (e não só térmicas) que fechem contratos firmes de saída de, no mínimo, dez anos de duração – independentemente de porte, segmento de atuação ou localização do usuário do sistema.

Em nota, a ANP justificou que a decisão parte do entendimento de que “contratos de longo prazo reduzem riscos e aumentam a previsibilidade de receitas do sistema de transporte”.

E acrescentou que as simulações indicam que o desconto aproxima o custo de transporte de patamares considerados competitivos, reduzindo o valor fixo embutido nos lances.

A diretoria da ANP também reforçou o entendimento de que a obrigação das térmicas no leilão se refere apenas à contratação de capacidade de saída no sistema de transporte.

MME também ajusta regras

O incentivo criado pela agência se soma aos ajustes na sistemática do LRCAP publicados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) na segunda-feira (26/1) e que flexibilizaram a obrigação de reserva de capacidade na malha de gasodutos por parte das térmicas existentes.

Pelos termos da Portaria Normativa 125/2026, as térmicas conectadas passam a ter de comprovar a contratação de uma capacidade firme, no sistema de transporte, que seja capaz de atender 70% (e não mais 100%) da operação da usina em sua capacidade máxima e de modo contínuo.

As mudanças visam dar mais flexibilidade aos empreendedores na precificação, no leilão, contribuindo para aumentar a competitividade das térmicas conectadas, sobretudo, em relação aos projetos associados a terminais de gás natural liquefeito (GNL) que não incorporam custos com o transporte nos lances.

As medidas ajudam os agentes a “desinflar” as receitas fixas, componentes que ajudam a definir os vencedores do certame — na prática, parte dos custos com a contratação de gasodutos podem ser alocados nos custos variáveis (o CVU).

Os agentes, aliás, têm até segunda-feira (2/2) para enviar os parâmetros e preços que compõem a parcela do CVU das termelétricas do LRCAP.

A formatação do LRCAP de 2026 passou por mudanças ao longo do ano passado e, ao fim, o modelo escolhido foi o da separação de produtos entre as térmicas a gás conectadas e as desconectadas da malha de gasodutos, mas apenas apenas parcialmente.

Inicialmente, a separação valeria para todos os produtos entre 2026 a 2030, mas, ao fim, ficou restrita ao horizonte entre 2026 e 2027. Nos demais produtos, as térmicas a gás vão competir diretamente entre si (e com as usinas a carvão).

A separação de produtos foi a forma como o MME encontrou para distensionar a disputa entre agentes e um dos principais debates em torno das novas regras do LRCAP e que virou uma dor de cabeça para a pasta: como tratar os custos do uso dos gasodutos de transporte.

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