Novas tecnologias

Mercado livre vai passar por digitalização com abertura aos consumidores de baixa tensão, diz Equatorial

Processo de contratação vai precisar ser mais digital com o maior número de consumidores e acirramento da concorrência

Eletricista da Equatorial Pará (Foto: Divulgação)
Eletricista da Equatorial Pará (Foto: Divulgação)

O mercado livre de energia vai passar por uma grande transformação com a abertura aos consumidores de baixa tensão que deve tornar a contratação nesse segmento ainda mais digital do que é hoje, na visão do diretor de Clientes, Inovação e Serviços do grupo Equatorial, Maurício Veloso. 

“Vai ser um mercado muito mais digital do que é o mercado de alta tensão, com o cliente buscando e definindo o seu fornecedor de energia num marketplace”, disse a jornalistas na manhã de segunda-feira (26/1). 

Veloso explicou que hoje o processo de contratação no mercado livre para os clientes de alta tensão na maior parte dos casos passa por um gerente de contas. 

Com a chegada dos 14 milhões de consumidores de baixa tensão que vão ter a possibilidade de migrar para o segmento, o processo vai precisar ser mais digital, na opinião do executivo. 

No mercado livre de energia, o consumidor pode escolher o seu fornecedor. A expectativa é que essa opção esteja liberada para todos os consumidores, incluindo residências, até novembro de 2028.

O prazo está previsto na lei 1529/2025, sancionada em novembro.

Segundo Veloso, ainda existem muitas questões a serem esclarecidas sobre a abertura, inclusive em relação ao tratamento da conta de energia e como, de fato, será o procedimento para a migração. 

Para ele, vai haver forte concorrência para atender à demanda do mercado após a liberalização. 

A companhia atua no mercado livre por meio da comercializadora Echoenergia e está estudando exemplos de como ocorreu a liberalização do ambiente livre em outros países para se preparar para este novo momento do setor no Brasil. 

“A gente também está discutindo a oferta de produtos para esse mercado”, explicou o executivo. 

Bateria para ajudar a gerir as redes

Além da comercialização da energia, a Equatorial também atua na distribuição, com concessões no Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Amapá e Rio Grande do Sul. 

Segundo o diretor, um dos desafios enfrentados na distribuição é o crescimento da geração distribuída (GD), modelo no qual o consumidor gera a própria energia, na maioria das vezes por meio de paineis fotovoltaicos. 

A companhia está desenvolvendo dois projetos piloto para testar o uso de bancos de baterias no auxílio da tensão e da carga nas redes com as variações da GD. 

Veloso destaca que a variação da energia nas redes com o aumento da GD está demandando das  distribuidoras um papel mais ativo no gerenciamento da energia em suas áreas de concessão.

“Está tendo muita mudança no carga e demanda, então isso é muito importante para ajustar e equilibrar o sistema. Cada vez mais a distribuidora começa a exercer um papel equivalente ao ONS [Operador Nacional do Sistema] no âmbito da sua distribuição”, disse.

Com isso, há a necessidade de investimentos em novas tecnologias, como as baterias. 

Inscreva-se em nossas newsletters

Fique bem-informado sobre energia todos os dias