Influência geopolítica

Petróleo fecha em queda com temores de oferta abundante se sobrepondo a tempestade nos EUA

Brent para abril caiu 0,46%, a US$ 64,77, com temores de uma oferta excessiva frente ao aumento de embarques da Venezuela

Recuperação da indústria petrolífera na Venezuela é improvável no curto prazo, afirmam especialistas do O&G. Na imagem: Funcionários da PDVSA, petroleira estatal da Venezuela, operam equipamento de perfuração; uniformizados, em laranja, com equipamentos e sinalizações de segurança e capacete vermelho (Foto: Divulgação)
Funcionários da PDVSA, petroleira estatal da Venezuela (Foto: Divulgação)

O petróleo fechou em queda nesta segunda-feira (26/1), refletindo os temores de uma oferta excessiva da commodity frente ao aumento de embarques da Venezuela e sob expectativas para a próxima reunião da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).

Investidores monitoram ainda o impacto da forte tempestade de inverno nos Estados Unidos sobre a produção de petróleo e tensões geopolíticas.

Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), caiu 0,46% (US$ 0,30), a US$ 64,77 o barril, enquanto o petróleo WTI para março, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em queda de 0,72% (US$ 0,44), a US$ 60,63 o barril.

Segundo a Bloomberg, delegados da Opep+ afirmaram que o cartel deve seguir os planos de manter a produção de petróleo estável em março, enquanto o grupo lida com um excedente global e uma onda de riscos geopolíticos.

Ainda conforme o veículo, a Chevron aumentou sua frota para transportar petróleo venezuelano aos EUA, enquanto o Casaquistão retomou operações no oleoduto do Cáspio — responsável por 90% da produção do país, um dos maiores fornecedores globais da commodity.

Os temores sobre a oferta pressionaram o petróleo e se sobrepuseram a notícias de danos provocados pela tempestade de inverno nos EUA, cuja onda de frio ameaça a produção doméstica de energia.

Para o Price Futures Group, o mercado segue em estado de alerta, reagindo a cada nova atualização sobre a tempestade.

Também pesando sobre os preços, aumentou no fim de semana a preocupação de investidores com possível novo shutdown nos EUA e eventuais repercussões na economia, após democratas demonstrarem resistência em aprovar o orçamento.

Limitando as perdas, a Ucrânia lançou novo ataque contra uma refinaria de petróleo da Rússia, apesar do andamento das negociações para um acordo de paz. A próxima reunião está marcada para domingo (1°/2), em Abu Dhabi.

Ainda no radar geopolítico, um porta-aviões dos EUA chegou ao Oriente Médio e, segundo o Washington Post, amplia as opções do governo Trump para um possível ataque ao Irã.

Incertezas sobre a Groenlândia levaram a União Europeia a adiar votação do acordo comercial com os EUA, enquanto Trump ameaçou aplicar novas tarifas de 100% sobre o Canadá por fechar parceria com a China.

Na visão do SEB, essas tensões devem dar algum suporte aos preços do petróleo no curto prazo.

Por Darlan de Azevedo, com informações da Dow Jones Newswires.

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