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De olho em baterias, Engie cobra planejamento para leilões

Gustavo Labanca, diretor da Engie, criticou a falta de planejamento e o adiamento dos leilões de reserva e de baterias para 2026

Presidente da TAG, Gustavo Labanca, no painel "Gás Natural para uma Transição Energética Justa e Segura no ESG Energia e Mercadoä (Foto Cris Vicente/IBP)
Presidente da TAG, Gustavo Labanca, no painel Gás Natural para uma Transição Energética Justa e Segura no ESG Energia e Mercado (Foto Cris Vicente/IBP)

A falta de planejamento e a postergação de leilões no setor elétrico brasileiro têm criado um ambiente de incerteza que dificulta a tomada de decisão de investidores, avalia o diretor de Negócios de Infraestrutura da Engie no Brasil, Gustavo Labanca

Segundo ele, os atrasos tanto no leilão de capacidade (LRCAP) quanto no certame voltado a sistemas de armazenamento de energia acabam travando a expansão da infraestrutura necessária para integrar as fontes renováveis e garantir a segurança do sistema.

“Hoje, não temos bateria no Brasil, e a gente precisa. Não é a tábua de salvação, mas ajuda muito, principalmente para atender o horário de pico. O leilão já está para ser realizado há algum tempo, já foi adiado novamente… Essas coisas acabam atrapalhando o crescimento da infraestrutura”, disse nesta quinta (22/1), em evento no Rio de Janeiro.

A Engie avalia participar dos futuros leilões de baterias no país, com especial atenção na tecnologia madura de sistemas de armazenamento de energia (BESS) com íons de lítio. 

O Ministério de Minas e Energia (MME) reabriu a discussão sobre os leilões de baterias em novembro do ano passado. Está previsto para ocorrer depois do LRCAP, previsto para março.

Evitar os riscos de blackout

Para o executivo, resolver o gargalo da transmissão e do armazenamento é essencial para evitar riscos de desabastecimento.

“Transmissão, armazenamento e expansão de rede. Temos uma missão muito importante, porque ninguém quer passar por um blackout”, disse, citando episódios recentes de apagões na Península Ibérica, no Chile, e no Brasil, em agosto de 2024.

Labanca lembrou que o país já viveu um racionamento em 2001, causado, entre outros fatores, pela insuficiência de linhas de transmissão. Por razões geográficas, em muitos casos, a geração está afastada dos grandes centros de consumo, a exemplo das grandes hidrelétricas no Norte e as eólicas no Nordeste.

“A gente tinha energia sobrando, vertendo a energia, como a gente fala, na região Sul e não tinha capacidade de transmissão para o Sudeste”, afirmou. O vertimento refere-se a necessidade deixar a água correr pelas turbinas da hidrelétricas sem a necessidade e condições para gerar e despachar a energia.

Desde então, o Brasil passou a realizar leilões frequentes para expansão da rede, especialmente para escoar a geração eólica e solar do Nordeste até os centros de carga do Sudeste.

Apesar desse avanço, o diretor avalia que o momento atual exige um novo salto de planejamento.

“Existe interesse por investimento, existe capital para isso. A competição tem sido grande, o que eu acho que a gente precisa aqui nesse caso é um melhor planejamento e acelerar o desenvolvimento de novos negócios no país”, disse.

Obras paradas por demora no licenciamento

Além dos atrasos nos leilões, a Labanca aponta a demora no licenciamento ambiental como outro entrave. A empresa foi impactada pela paralisação de obras de linhas de transmissão em razão da greve do Ibama, que durou cerca de onze meses em 2024.

“Realmente, nossos projetos não podem esperar tantos meses, para fazer uma audiência pública, para fazer uma consulta à população. Isso é um dos principais gargalos de competitividade, porque gera toda essa morosidade e acaba gerando um custo adicional”, afirmou Labanca.

A empresa opera mais de 3.200 quilômetros de linhas de transmissão em diferentes regiões do país

Entre os empreendimentos em operação estão as linhas de transmissão Gralha Azul (PR), com 909 quilômetros; Novo Estado (TO e PA), com 1.800 quilômetros; Gavião Real (PA), que inclui uma subestação associada; e o trecho brownfield de Graúna (MG e ES) com 162 quilômetros. 

Atualmente, a Companhia possui mais de 1.300 quilômetros em implantação, sendo cerca de 732 quilômetros do sistema de transmissão Graúna e aproximadamente 666 quilômetros do projeto Asa Branca.

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