Cooperação

Governo de SP fecha acordo com governo da Suécia para estudar dutos de biometano

Infraestrutura de gasodutos é considerada um dos principais gargalos para a expansão do biometano pelo governo

Unidade de produção de biometano da Onebio, em Paulínia. Foto: Edge/Orizon/Reprodução
Unidade de produção de biometano da Onebio, em Paulínia. Foto: Edge/Orizon/Reprodução

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do governo de São Paulo fechou, nesta quinta-feira (22/1), parceria com o Swedfund International AB, instituição financeira de desenvolvimento do governo da Suécia, para estudar a implantação de gasodutos de biometano no estado.

A informação foi adiantada pela agência eixos em entrevista com a subsecretária de Energia e Mineração da Semil, Marisa de Barros.

A iniciativa surge após um levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Semil, que identificou que São Paulo tem potencial para produzir cerca de 6,4 milhões de m³/dia de biometano. 

O objetivo do acordo é realizar estudos técnicos para dimensionar os investimentos necessários para a implantação de novos gasodutos de biometano.

A parceria inclui, ainda, a avaliação do potencial de recuperação do digestato, subproduto rico em nutrientes gerado na digestão anaeróbica de matéria orgânica, e a proposição de modelos de negócio para a produção e comercialização de biofertilizantes orgânicos em plantas de biometano.

O projeto tem investimento previsto de aproximadamente R$ 5 milhões em serviços de consultoria de especialistas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano.

O valor será totalmente custeado pelo governo sueco.

“A colaboração entre o estado de São Paulo e o Swedfund tem relevância principalmente em razão do elevado potencial de produção de biometano em território paulista, importante instrumento para a redução de gases de efeito estufa, podendo impulsionar a geração de emprego e renda”, disse a secretária da Semil, Natália Resende, em nota.

O governo paulista e a instituição já fizeram parcerias anteriormente para desenvolver dois estudos de caso para produção de biometano a partir de resíduos de esgoto e de aterro sanitário para uso em transporte coletivo.

Segundo a CEO do Swedfund, Maria Håkansson, a iniciativa dá continuidade às parcerias passadas. 

“Juntos, esses esforços apoiarão o desenvolvimento de políticas públicas e fornecerão uma ferramenta de planejamento estratégico para os agentes de mercado, possibilitando a expansão das redes de gás para acomodar volumes crescentes de gás renovável no futuro”, afirmou a CEO.

Infraestrutura é um dos principais gargalos

Segundo Barros, a infraestrutura de gasodutos é um dos principais gargalos para a expansão do biometano. 

“A gente está no momento de olhar a infraestrutura, que é um dos gargalos para o desenvolvimento dessa indústria”.

A subsecretária destaca que parte da produção de biometano já é transportada por caminhões, inclusive em operações interestaduais.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou, em dezembro, uma norma que permite a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem impactar os demais usuários, a Tusd-verde, uma tarifa especial de uso do sistema de distribuição voltada ao biometano.

Além disso, o governo prepara uma chamada pública para produtores interessados em se conectar à rede de gás canalizado, e outra para elaboração do plano de negócios pela concessionária.

Capacidade de produção de biometano

O estado deve alcançar entre 700 mil e 750 mil metros cúbicos por dia de capacidade instalada de produção de biometano até o fim deste ano, com projeção de chegar a quase 1 milhão de m³/dia em 2027, de acordo com a subsecretária.

Atualmente, oito plantas estão autorizadas a produzir biometano no estado e outras sete estão em processo de licenciamento. 

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