Estudo da EPE

Com incentivos, bioGLP pode pegar carona no diesel verde

Empresa também sugere incentivos fiscais a projetos ligados ao bioGLP para acelerar a expansão dessa cadeia no país

Botijões de GLP de 13 quilos (Foto Marcelo Casal/Agência Brasil)
Botijões de GLP de 13 quilos (Foto Marcelo Casal/Agência Brasil)

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou na segunda (19/1) um fact sheet indicando o potencial para a produção de bioGLP no Brasil a partir de rotas já associadas ao diesel verde (HVO) e aos combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). 

O documento (veja a íntegra, .pdf) também sugere a inclusão de projetos ligados ao bioGLP, ou gás liquefeito renovável (GLR), no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) como forma de acelerar investimentos e viabilizar a expansão dessa cadeia no país.

O Reidi reduz a carga tributária sobre aportes de capital de projetos estratégicos, mas sua ampliação depende de enquadramento pelo governo federal e de espaço orçamentário.

O GLR é um combustível sintético gasoso de baixo carbono, idêntico ao gás liquefeito de petróleo (GLP) fóssil, na estrutura química, no uso e na performance.

Quando produzido a partir de insumos oriundos da biomassa, o combustível passa a ser denominado bioGLP, mantendo total compatibilidade com a infraestrutura e os equipamentos já existentes, mas com alto potencial de redução das emissões de carbono.

No texto, a EPE explica que a principal diferença em relação ao GLP fóssil está na origem renovável da cadeia produtiva, o que possibilita ganhos ambientais relevantes. 

Segundo o documento, essa característica “possibilita a redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes da combustão do seu equivalente fóssil”.

Políticas públicas

O material também aponta a versatilidade de aplicações, a abundância de biomassa no Brasil e a existência de políticas públicas de descarbonização como fatores favoráveis ao desenvolvimento do mercado.

Entre as oportunidades mapeadas, a nota destaca o uso do bioGLP em cocção, ressaltando que se trata de um combustível drop-in, que “não necessita de adaptações nos fogões a GLP”. 

A EPE avalia no entanto que, apesar do potencial técnico, a expansão do bioGLP depende de ações como a criação de incentivos e chamadas de fomento para o desenvolvimento da cadeia de gases liquefeitos de baixo carbono e, sobretudo, a inclusão de projetos no Reidi. 

O documento também defende “estabelecer marco regulatório de produção, misturas e comercialização” e investir no “desenvolvimento de novas rotas e/ou melhorias das existentes para redução de custos de produção visando aumentar a competitividade”.

Rota Hefa

O fact sheet destaca que a principal rota tecnológica para a produção de bioGLP é o hidrotratamento de óleos vegetais, ésteres e ácidos graxos, conhecida como rota Hefa, processo associado à produção de diesel verde e de SAF. 

“A principal rota de produção de BioGLP é o hidrotratamento de óleos vegetais, ésteres e ácidos graxos (Hefa) para produção de diesel verde e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF)”, aponta o documento. 

Nessa rota, o bioGLP surge como coproduto, ampliando o aproveitamento energético da biomassa.

O documento ressalta ainda que o GLR pode ser obtido como coproduto não apenas do diesel verde e do SAF, mas também do biocarvão.

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