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Fábricas de fertilizantes do Nordeste voltam a operar em meio a riscos no suprimento internacional

Irã, Venezuela e Rússia são supridores de ureia para o Brasil

Fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras. Foto: Petrobras/Divulgação
Fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras. Foto: Petrobras/Divulgação

NESTA EDIÇÃO. Petrobras inicia produção nas fábricas de fertilizantes do Nordeste. 
 
Lula sanciona monofasia da nafta na reforma tributária. 
 
Preço do petróleo retoma alta com tensões no Irã. 
 
Capacidade de geração centralizada vai crescer 9,1 GW no Brasil em 2026; quase metade da fonte solar fotovoltaica, enquanto expansão da eólica desacelera. 
 
Orsted consegue liminar contra suspensão de eólica offshore nos EUA


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A Petrobras retomou a produção de fertilizantes no Nordeste, depois de mais de dois anos de interrupção. O retorno das operações em Sergipe e na Bahia era esperado para o fim de 2025 e acabou coincidindo com um momento de risco no suprimento internacional desses produtos. 

  • Três grandes fornecedores de ureia para o Brasil vivem situações políticas tensas: Irã, Rússia e Venezuela. Ao todo, foram mais de 1,87 bilhão de toneladas de ureia importadas desses países em 2025. 
  • Juntos, os três países responderam por 24% das importações de ureia brasileiras no ano passado, segundo dados da balança comercial divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O aumento na produção nacional reduz a fragilidade brasileira, num contexto de crescentes tensões geopolíticas

  • O Irã vive uma onda de protestos contra o atual governo, que já deixaram mais de 2 mil mortos (CNN)
  • Os Estados Unidos, inclusive, anunciaram uma tarifa adicional de 25% a produtos de países que seguirem fazendo negócios com o Irã em meio aos protestos. (G1)
  • A Venezuela foi invadida pelos Estados Unidos no começo de janeiro e o presidente Donald Trump vem indicando que a produção do país passará a ser controlada por empresas estadunidenses, mas ainda não há clareza sobre os próximos passos.
  • A Rússia segue em guerra desde 2022, após a invasão à Ucrânia. 

A Petrobras estima que pode suprir metade da demanda brasileira de ureia e até 9% do consumo nacional total de fertilizantes. 

  • O tema é sensível para o agronegócio, que importa a maior parte dos fertilizantes nitrogenados que consome. 
  • Os riscos já estavam no radar do mercado, sobretudo com as questões geopolíticas envolvendo a Rússia e o Irã nos últimos anos. 
  • Além da garantia do suprimento, também há uma expectativa de que o retorno da Petrobras aos fertilizantes garanta disponibilidade do produto no mercado nacional a preços competitivos e, assim, ajude a reduzir fraudes, no caso do Arla 32.
  • Ainda assim, a produção doméstica ajuda, mas não assegura proteção total contra repiques nos preços internacionais, que podem ser repassados pela Petrobras.

A produção nas fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe ocorre depois de um longo processo de devolução das plantas, que foram arrendadas à Unigel em 2019

  • Segundo a estatal, a fábrica sergipana começou a produzir amônia em dezembro e, na semana passada, passou a fabricar também a ureia. 
  • Já a unidade baiana está em fase de comissionamento de partida, com expectativa de início da produção de ureia até o fim de janeiro.

O retorno da estatal ao mercado de fertilizantes foi uma das promessas de campanha do presidente Lula (PT), depois que a empresa deixou esse mercado para focar na exploração e produção de petróleo e gás, durante os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL)

  • A retomada inclui ainda a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), no Mato Grosso do Sul, e a Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná.


Combate a fraudes nos combustíveis. O presidente Lula sancionou, com vetos, o PLP 108/2024, segundo e último texto necessário para a entrada em vigor da reforma tributária, com a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CG-IBS). Na sanção, manteve as emendas voltadas à simplificação no mercado de combustíveis, a monofasia da nafta.
 
Tarifas de gás. A Naturgy vai reduzir as tarifas de gás natural a partir de fevereiro. Segundo a empresa, a redução é decorrente da diminuição no custo de aquisição do gás natural fornecido pela Petrobras.

  • Para os clientes localizados na Região Metropolitana do Rio a queda será em média de 4,44% para os segmentos residencial; de 4,61% para o comercial; 12,50% para postos de Gás Natural Veicular (GNV) e de 11,63% para as indústrias. 

Preço do barril. O petróleo fechou em alta na terça-feira (13/1), com o Brent no maior nível desde setembro de 2025. O avanço da commodity reflete preocupações com as tensões internas do Irã e as novas tarifas dos EUA ao país persa.

  • O Brent para março encerrou em alta de 2,51% (US$ 1,60), a US$ 65,47 o barril.
  • Segundo relatório divulgado na terça, o Departamento de Energia dos Estados Unidos elevou a projeção para o preço médio do Brent em 2026 de US$ 55 para US$ 56 o barril e passou a estimar valor médio de US$ 54 em 2027.

Mais de um milhão de barris/dia. O campo de Tupi/ Iracema, no pré-sal da Bacia de Santos, atingiu a produção de 1 milhão de barris/dia na sexta-feira (9/1), repetindo a marca histórica alcançada, pela primeira vez, em 2019. (Agência Petrobras). 

Leilão do óleo de Bacalhau. A PPSA habilitou cinco empresas para o leilão do petróleo da União no campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos. As companhias habilitadas são Equinor, ExxonMobil, Galp, Petrobras e PetroChina.

  • A primeira etapa do leilão será na quarta-feira (14/1) e o embarque da carga está previsto para o final de março. 

Produtores independentes. O presidente da Abpip, Márcio Félix, disse que uma eventual abertura do mercado de petróleo venezuelano para capital estrangeiro com oportunidades, desde que a situação no país se estabilize.

  • Já para incentivar os investimentos no Brasil, a Abpip definiu entre as prioridades regulatórias para 2026 a redução de royalties ao mínimo legal, simplificação de requisitos técnicos para campos de baixa produtividade e o aprimoramento do marco de descomissionamento. 

Orçamento de carbono mais apertado. Os planos do governo dos EUA de explorar as reservas de petróleo da Venezuela até 2050 pode consumir mais de 10% do orçamento de carbono restante no mundo para limitar o aquecimento global a 1,5°C, segundo uma análise divulgada pelo jornal britânico The Guardian

Investimentos noruegueses. Os investimentos estrangeiros diretos da Noruega no Brasil alcançaram um estoque de cerca de US$ 14 bilhões em 2024, representando um avanço de 200% em uma década. Os dados são do Relatório de Investimentos e Comércio entre Noruega e Brasil 2025.

  • O movimento, puxado sobretudo por petróleo e gás, energias renováveis e pelo setor marítimo, deve manter a trajetória de crescimento, impulsionado pela busca norueguesa por parcerias estáveis em um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas e comerciais. 

Expansão da matriz. A energia solar será responsável por quase metade do crescimento da capacidade de geração elétrica no Brasil em 2026, com uma expansão de 4,56 GW prevista pela Aneel. 

  • Ao todo, a  agência prevê que a geração centralizada vai crescer 9,14 GW no Brasil este ano.
  • Já a eólica deve viver uma desaceleração, com a adição de 1,44 GW, a menor desde 2019.

Retomada das obras. A empresa dinamarquesa Orsted informou que um tribunal federal dos Estados Unidos concedeu uma liminar preliminar que permite a retomada do projeto eólico offshore Revolution Wind.

  • A decisão foi tomada pelo Tribunal Distrital do Distrito de Columbia e se refere à ordem de suspensão emitida em 22 de dezembro pelo Escritório de Gestão de Energia Oceânica.

Conta dos data centers. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse estar trabalhando com empresas de tecnologia, incluindo a Microsoft, para que os americanos não paguem contas de eletricidade mais altas por causa dos data centers, acrescentando que terá muito a anunciar nas “próximas semanas”.
 
Complexo híbrido onshore. A EDP iniciou a operação de um projeto híbrido de produção hidrelétrica e solar terrestre (onshore), o complexo de Pracana, instalado no centro de Portugal. É a primeira usina híbrida do grupo no mundo a combinar essas duas fontes.
 
Opinião: Leilões descentralizados de baterias e sistemas de armazenamento emergem como uma alternativa concretamente viável, mais eficiente e alinhada ao ritmo da transição energética e ao curtailment (cortes de geração), escreve o CEO do Grupo Bolt, Gustavo Ayala.

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