JUIZ DE FORA — O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), se reuniu nesta segunda-feira (12/1), em Riad, com o ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Bandar Al-Khorayef, para avançar na cooperação estratégica entre os países no setor mineral.
Brasil e Arábia Saudita concordaram em criar um grupo de trabalho bilateral, com reuniões regulares, inclusive virtuais, para aprofundar estudos e estruturar iniciativas minerais conjuntas.
Segundo o MME, o encontro teve como foco “aprofundar o diálogo bilateral e ampliar a cooperação estratégica no setor mineral”, com a identificação de oportunidades de investimentos conjuntos em minerais considerados estratégicos para a economia e a transição energética.
Durante a reunião, Silveira apresentou mudanças recentes na governança do setor mineral brasileiro, destacando a atuação do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), órgão que reúne 18 ministérios e assessora diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na formulação da política do setor .
De acordo com o ministro, o conselho tem contribuído para acelerar processos de licenciamento, reduzir entraves burocráticos e melhorar a coordenação entre órgãos federais, o que, segundo ele, aumenta a previsibilidade para investimentos de longo prazo .
“Mesmo sendo uma federação, o Brasil tem avançado na unificação da linguagem regulatória e institucional, preservando a estabilidade legal, regulatória e política, além da segurança jurídica necessária para investimentos de longo prazo”, afirmou Silveira, em nota.
Na agenda de investimentos, Silveira destacou o interesse do governo em “destravar projetos estratégicos de minério de ferro de alta redução e de cobre, com foco nos estados do Pará e de Minas Gerais, ampliando a competitividade do país no mercado internacional”.
O ministro ressaltou ainda o potencial geológico do país, lembrando que apenas cerca de 30% do subsolo brasileiro foi mapeado até agora.
Mesmo com esse nível limitado de mapeamento, o Brasil já figura como a segunda maior reserva mundial de terras raras e a sétima de urânio, o que, segundo a pasta, abre espaço para novas descobertas e parcerias internacionais.
Silveira pediu apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) para projetos de mapeamento geológico no Brasil, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral do país e criar bases para novos investimentos estruturantes.
Transformação mineral
O ministro também defendeu que investidores sauditas avancem além da extração e apostem na cadeia de transformação mineral no Brasil, de modo a agregar valor à produção.
Silveira afirmou que “os minerais críticos se consolidam como o novo petróleo”.
“A integração entre mineração, indústria e energia torna-se estratégica”, avaliou.
Durante o encontro, Silveira manifestou interesse em receber representantes da Manara Minerals no Brasil para avaliar oportunidades de investimento.
O fundo saudita é sócio da Vale na Vale Base Metals, unidade focada na produção de cobre e níquel — minerais considerados estratégicos para a transição energética.
Acordos recentes
O avanço na agenda mineral ocorre após os dois países terem iniciado, em agosto do ano passado, os trabalhos para implementar um acordo de cooperação em energia.
Na ocasião, Brasil e Arábia Saudita começaram a detalhar projetos conjuntos em petróleo, gás, eletricidade, renováveis e hidrogênio, com a criação de grupos técnicos para transformar o plano em iniciativas concretas.
O movimento deu sequência a um memorando de entendimento assinado em novembro de 2023, também em Riad, que ampliou o escopo da parceria energética bilateral.
O acordo abrangeu, segundo o MME, desde a produção e o uso de energia até ações em eficiência energética, economia circular de carbono, tecnologias de redução de emissões e cooperação entre empresas, universidades e centros de pesquisa.
Em janeiro de 2025, Silveira anunciou a perspectiva de investimentos sauditas de até R$ 8 bilhões no Brasil e a abertura de um escritório da mineradora Ma’aden em São Paulo, voltado ao mapeamento geológico, à pesquisa e ao aproveitamento mineral no país.
Segundo Silveira, a iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre o subsolo brasileiro e abrir espaço para parcerias voltadas ao aproveitamento sustentável de minerais estratégicos, em linha com a cooperação com países do Oriente Médio e com esforços já em curso nos setores de O&G.
Um ano antes, durante o Fórum Econômico Mundial de 2024, em Davos, Silveira se reuniu bilateralmente com o ministro saudita para discutir oportunidades de investimento em mineração sustentável no Brasil.
Em novembro passado, a estratégia da Arábia Saudita para minerais estratégicos ganhou novo capítulo com a parceria entre a estatal Maaden, a MP Materials e o governo dos EUA para desenvolver uma refinaria de terras raras no país árabe.
O projeto busca fortalecer cadeias globais de suprimento e reduzir a dependência de poucos fornecedores, com foco nos setores industrial e de defesa.
