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Guinada de Trump contra renováveis vira batalha judicial nos EUA

Desenvolvedoras de eólicas offshore processam governo estadunidense

Donald Trump fala em coletiva de imprensa em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, após a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026 (Foto Molly Riley/White House)
Donald Trump fala em coletiva de imprensa em Mar-a-Lago, após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026 (Foto Molly Riley/White House)

NESTA EDIÇÃO. Governo dos EUA é processado por empresas de geração eólica. 
 
SIlveira diz que invasão dos EUA à Venezuela não impacta mercado de petróleo no Brasil no curto prazo. 
 
Após vazamento de fluido de perfuração, retomada de perfuração na Foz do Amazonas depende do aval da ANP. 
 
Ceramista Cerbras é o primeiro consumidor industrial no Ceará a migrar para o mercado livre de gás natural
 
Primeira usina de etanol de trigo do Brasil recebe autorização para operar.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

Em um movimento que marca uma maior insegurança jurídica para investimentos em renováveis nos Estados Unidos, os principais desenvolvedores de projetos de eólicas offshore no país estão processando o governo depois da suspensão da concessão de áreas para projetos que já estavam em construção. 

  • Sob o argumento de risco à segurança nacional, a suspensão dos arrendamentos foi anunciada em dezembro e deu início a uma batalha judicial
  • Os desenvolvedores de quatro dos cinco projetos afetados já recorreram à Justiça. 
  • Parte dos processos envolve empresas europeias, como a norueguesa Equinor e a dinamarquesa Ørsted. Vale lembrar que a Dinamarca está na mira dos EUA, devido à disputa pela Groenlândia. 
  • Leia no site: Eólicas offshore: Equinor e Ørsted processam governo dos EUA

Desde que assumiu o governo, em janeiro de 2025, Trump vinha conduzindo uma guinada nas políticas para a transição energética e combate às mudanças do clima. Já havia, inclusive, suspendido a concessão de novas licenças para eólicas, terrestres e no mar.

Mas a mudança se aprofundou nas últimas semanas. Na noite de quarta (7/1), os EUA anunciaram a saída de mais de 60 órgãos multilaterais, incluindo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). (G1)

  • O país também vai deixar a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
  • É um movimento significativo, dado que se trata do principal produtor de petróleo do planeta e segundo maior emissor de gases de efeito estufa.

O movimento coincide com a maior aposta dos EUA no petróleo, em meio à invasão da Venezuela no sábado (3/1), sob o argumento de estimular as petroleiras americanas a desenvolver as reservas de petróleo do país caribenho. 
 
Última tentativa? Também ameaçado pelos EUA, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sugeriu a Trump em uma conversa telefônica na quarta (7) uma aliança em torno do potencial de geração de energia limpa da América do Sul. Não foram divulgadas informações sobre a resposta dos EUA. 



Invasão da Venezuela. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), disse que o Brasil precisará avaliar no médio prazo como o eventual controle dos Estados Unidos sobre a produção de petróleo da Venezuela pode impactar o mercado brasileiro. A curto prazo, Silveira afirmou que não há nenhum impacto.

  • O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), reiterou a fala e disse que a invasão da Venezuela não deve ter um impacto direto no Brasil, nem interferir no mercado petrolífero brasileiro. 

Preço do petróleo. A commodity fechou em alta de mais de 3% na quinta-feira (8/1), tentando reaver parte das perdas recentes, enquanto investidores monitoram as tensões geopolíticas globais.

  • O Brent subiu 3,39% (US$ 2,03), a US$ 61,99 o barril.

Vazamento na Foz do Amazonas. Após o incidente com a sonda que resultou no vazamento de fluido de perfuração, a retomada das atividades da Petrobras no poço exploratório no bloco FZA–M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, só ocorrerá após aval da ANP.

  • Ao todo, foi registrada a descarga de 18.440 litros de fluido sintético de perfuração, que, comprovadamente, chegou a cerca de 2.700 metros de profundidade no mar.
  • A despeito da companhia informar que o fluido vazado está dentro dos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, o incidente foi classificado pela ANP como risco de dano à saúde humana e dano ao meio ambiente.

Queda no downstream. A petroleira anglo-holandesa Shell espera um aumento na produção de petróleo e gás no quarto trimestre de 2025, mas alertou para o desempenho mais fraco em suas áreas de downstream.

M&As. As fusões e aquisições de empresas de petróleo e gás subiram 14% de janeiro a setembro de 2025 na comparação com o mesmo período de 2024, totalizando 16 operações, indicou a KPMG. No mesmo período do ano anterior, o total tinha sido de 14 negociações.

Novas térmicas a gás. A Superintendência-Geral do Cade aprovou, sem restrições, a compra de 33,33% da Swap Gás & Energia pela Capitale Holding. 

  • O objetivo é desenvolver projetos termelétricos a gás natural em Gaspar (SC), Araraquara (SP) e Uruguaiana (RS), destinados à participação em leilões de capacidade, e com potencial de exportação de energia para Uruguai e Argentina. 

Mercado livre de gás. A Eneva e o grupo Cerbras assinaram contrato para a comercialização de 10,95 milhões de m3 de gás natural. A empresa do ramo de revestimentos cerâmicos e porcelanatos, com sede em Maracanaú (CE), é o primeiro consumidor industrial do estado a migrar para o mercado livre

  • O gás será suprido por meio do Hub Sergipe, terminal privado de GNL conectado à malha nacional de transporte de gás. 

Tempo Comercializadora. O Cade aprovou também que a aquisição pela Light Energia da Tempo Comercializadora Varejista de Energia, atualmente detidas pela Tempo Energia.

Chinesa estreia no Brasil. A Envision Energy fechou um contrato de fornecimento de turbinas eólicas de 630 MW e um contrato de serviço de 30 anos com a Casa dos Ventos, que inclui o fornecimento de soluções habilitadas por inteligência artificial. 

Etanol de trigo. A ANP autorizou a CB Bioenergia a iniciar a operação da primeira usina de etanol de trigo do Brasil, localizada em Santiago (RS).

  • A usina pode processar 100 toneladas de trigo por dia e tem capacidade de produção de 43 m3/d de etanol hidratado.

Opinião 1: Biodiesel reúne transição energética, alimentos, renda, inovação, sustentabilidade e soberania, e, por isso, já é indispensável ao Brasil, escreve Jerônimo Goergen, o presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio).
 
Opinião 2: Enquanto estudos técnicos da ANP e do Cade comprovam que a abertura comercial do biodiesel traz eficiência e reduz a inflação, a manutenção da proibição à importação protege apenas um modelo tecnológico específico em detrimento do consumidor brasileiro, analisa Sérgio Araujo, o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom),.

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