NESTA EDIÇÃO. Impactos da invasão dos EUA à Venezuela na oferta global não tendem a ser imediatos, indicam especialistas.
Petrobras inicia produção da sétima plataforma do campo de Búzios.
Ano eleitoral no Brasil começa com alta nos preços do diesel, gasolina e gás de cozinha, depois da elevação do ICMS.
Ibama renova licença de instalação do gasoduto Brasil Central, que pode destravar licenciamento de três térmicas.
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O que vai acontecer com a oferta global de petróleo após os EUA invadirem a Venezuela?
A oferta global de petróleo deve demorar a sentir os eventuais impactos da invasão dos EUA à Venezuela e da sinalização do presidente Donald Trump de retorno das empresas norte-americanas à produção de petróleo no país caribenho.
- A produção venezuelana está concentrada em terra e águas rasas, portanto, à primeira vista, o aumento na extração tende a ser mais fácil do que em outras regiões.
- Mas especialistas demonstram ceticismo quanto à real capacidade de recuperação da produção venezuelana no curto prazo. Leia no site: Plano de Trump de revitalizar indústria petrolífera da Venezuela deve enfrentar dificuldades
- Os EUA também sinalizaram que vão manter o bloqueio das exportações venezuelanas (UOL)
Outro sinal de ceticismo foi dado pela Opep+: na primeira reunião do cartel do ano, no domingo (4), o grupo optou por manter a pausa nos aumentos de produção de petróleo entre janeiro e março de 2026. Indicou, assim, que não vê grandes disrupções na oferta global no primeiro trimestre.
- No final de novembro, a Venezuela chegou a pedir ajuda ao cartel para conter as ações dos EUA, mas não obteve resposta.
- “A Opep tem mantido sua preocupação com a estabilidade do mercado sem envolvimento em assuntos políticos”, lembra o pesquisador da FGV Energia, João Victor Marques.
Apesar das sinalizações de Trump, há incertezas sobre o real interesse das empresas dos EUA retornarem ao país, em meio à instabilidade política e econômica.
- A única grande petroleira global presente no país hoje é a Chevron.
- Outras majors optaram por deixar o país há décadas, depois de prejuízos com nacionalizações — este é, inclusive, um dos argumentos de Trump para a invasão ao dizer que o país “roubou propriedades americanas”.
- Vale a leitura: Petroleiras dos EUA só voltam à Venezuela com regime confiável, afirma Atlantic Council
Além disso, a indústria petrolífera venezuelana sofre há anos com baixos investimentos, sem grandes novas descobertas, e com a deterioração dos ativos.
- O país produz sobretudo petróleo pesado, que tem demanda localizada em refinarias específicas.
- “Ao mesmo tempo em que poderia ocorrer uma redução da produção por mudanças na gestão e operação da PDVSA, também pode haver um aumento de exportações com a ‘proteção’ militar dos EUA e a redução das restrições”, diz o analista da S&P Global Energy, Felipe Perez.
- Relembre: Recuperação da indústria petrolífera na Venezuela é improvável no curto prazo, dizem especialistas
Como fica o Brasil? As ações dos EUA marcam uma retorno ao maior intervencionismo da política externa americana na América do Sul, o que também tende a ter desdobramentos futuros na indústria petrolífera na região, inclusive em eventuais negociações do Brasil com outros parceiros comerciais.
- Brasil, Argentina, Guiana e Colômbia tiveram grandes descobertas de petróleo e gás nos últimos anos e estão dominando a expansão da oferta global fora da Opep.
- A exploração na região estava caminhando, inclusive, em direção ao Caribe, com as descobertas na Guiana e no Suriname e o início da exploração da Petrobras na Margem Equatorial brasileira.
- Procurada, a estatal brasileira ressaltou que não tem operações na Venezuela e que permanece acompanhando o mercado.
No curto prazo, o Brasil pode inclusive se beneficiar, ocupando parte do espaço deixado pela redução das exportações venezuelanas para a China.
- “Todavia, essa não é uma tendência garantida”, ressalta a analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Isabela Garcia.
E os preços? Nos próximos dias, analistas apontam a tendência de uma alta nas cotações internacionais do barril de petróleo, devido à maior percepção de risco geopolítico.
- No entanto, a alta tende a ser breve, dado que não há alterações concretas nas perspectivas atuais do mercado, que segue marcado pela tendência de sobreoferta.
- Na sexta (02/1), antes dos ataques, o Brent para março caiu 0,16% (US$ 0,10), a US$ 60,75 o barril.
Para aprofundar: A agência eixos fará uma super live nesta segunda (5) para repercutir com especialistas os impactos no mercado de óleo e gás da ofensiva dos EUA na Venezuela. Acompanhe a partir das 14h no canal da eixos no Youtube. Te esperamos por lá!
Mais uma plataforma em Búzios. A Petrobras iniciou, na quarta-feira (31/12), a produção da P-78, a sétima unidade de produção de petróleo e gás natural do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, o maior do país em reservas.
- A plataforma tem capacidade de produção de 180 mil barris/dia de petróleo e 7,2 milhões de m³/dia de gás, dos quais 3 milhões de m³/dia serão disponibilizados ao mercado brasileiro por meio do gasoduto Rota 3.
Alta no diesel, gasolina e GLP. O ano eleitoral no Brasil começa em meio a uma alta nos preços dos combustíveis, devido à elevação da alíquota de ICMS, que entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026. Estão previstos impactos na inflação do diesel, gasolina e gás de cozinha (GLP), com reflexos no bolso dos consumidores.
- A gasolina terá uma alíquota de R$ 1,57/l (aumento de R$ 0,10); a do diesel será de R$ 1,17/l (aumento de R$ 0,05) ; e o gás de cozinha teve o imposto atualizado para R$ 1,05 por botijão.
Redução de custos. No bojo das ações para cortar gastos, a ANP vai deixar de alugar, a partir de março de 2026, seis andares de um edifício pertencente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, que funciona como anexo ao escritório central, no centro da cidade.
Incorporação da Bioenergia. Os acionistas da Raízen aprovaram a incorporação do acervo cindido da Bioenergia Barra (Biobarra) e a incorporação total das empresas Bioenergia Rafard, Bioenergia Serra e Bioenergia Araraquara.
- A incorporação da parcela cindida da Biobarra foi avaliada em R$ 112,4 milhões. A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária na quinta-feira (1º/1).
Etanol nos EUA. A produção de etanol nos Estados Unidos aumentou 2,28% na semana encerrada em 26 de dezembro, segundo dados divulgados pela Administração de Informação de Energia (EIA) na sexta-feira (2/1).
- A produção média ficou em 1,120 milhão de barris por dia, em comparação com 1,095 milhão de barris por dia registrados na semana até 19 de dezembro.
Fornecimento de energia em SP. O desligamento automático de equipamentos levou à interrupção de 115 megawatts (MW) da carga de eletricidade do estado de São Paulo no primeiro dia do ano, segundo Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO) emitido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na sexta-feira (2/1).
- Do total cortado, 44 MW da carga seriam para a área de concessão da EDP e outros 71 MW seriam para a região atendida pela Enel.
Brasil Central avança. O Ibama emitiu a nova Licença de Instalação do Gasoduto do Brasil Central, da Transportadora de Gás do Brasil Central (TGBC). A iniciativa avança e pode destravar o licenciamento das três térmicas que ancoram o projeto: de Brasília, da Termogás; e as duas de Goiás, da EBrasil.
- Em outubro, o Ibama negou a licença da Termogás para a UTE Brasília, e registrou entre os motivos o fato de a térmica depender de um gasoduto com licença ambiental expirada.

