BRASÍLIA e RIO – A diretora de engenharia, tecnologia e inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, afirmou em coletiva de imprensa nesta quinta (27/2) que a companhia cancelou e irá retomar, em outra modalidade, os editais para a licitação de plataforma para Barracuda e Caratinga.
Segundo Baruzzi, o cancelamento ocorreu por conta da inviabilidade do projeto na modalidade de afretamento, mas uma outra licitação deve ser feita ainda neste semestre.
A diretora afirmou que o impacto de Barracuda e Caratinga é pequeno frente a outros projetos e que não há data prevista para a entrada em operação. Como não houve sucesso na contratação por afretamento, a Petrobras planeja viabilizar o projeto pelo modelo BOT (sigla em inglês para construir, operar e transferir).
Nesse modelo, a contratada se responsabiliza pelo projeto, incluindo as etapas de construção, montagem e operação da plataforma por um determinado período. Ao término do prazo, a operação é transferida para a Petrobras.
Outros projetos
Os atrasos em Sergipe Águas Profundas (SEAP) profundas já foram incorporados como “insucessos” ao planejamento estratégico da empresa. A Petrobras também tem enfrentado dificuldades para contratar a plataforma P-86 e de Albacora, ambas com editais em andamento.
A presidente da companhia, Magda Chambriard, disse que a alteração em SEAP é importante e pode dar mais atratividade ao projeto. A alteração prevê que o vencedor do edital da primeira plataforma possa oferecer também a segunda. “Se tudo der certo, a gente recupera o atraso”, afirmou.
Por dificuldade no financiamento, a Petrobras também optou pelo modelo BOT em SEAP 1 e 2.
“[O projeto] vai ser pago pela Petrobras. Então, o ativo é da Petrobras. Eles [a vencedora da licitação] operam por seis anos e depois transferem para a gente. Fomos para essa modalidade porque na outra [afretamento ] estávamos com dificuldade de financiamento”, explicou Baruzzi.
A previsão, caso a companhia tenha sucesso na contratação pelo modelo BOT, é que a plataforma entre em operação em 2031 em Sergipe. Caso contrário, será necessário abrir uma nova concorrência para o ativo e o segundo FPSO ficaria para 2032.
A estatal vem tentando contratar as duas unidades há três anos, sem sucesso. A baixa competitividade da tentativa de contratação anterior fez a empresa estender o prazo três vezes, antes de desistir da licitação e montar um grupo de trabalho, em 2024, para elaborar uma nova tentativa.
Sergipe é a principal nova fronteira de produção de gás do país. O projeto prevê ainda um gasoduto, com capacidade para 18 milhões de m³/d de gás natural, que deve entrar em operação junto com as plataformas. Com os atrasos, a chegada do gás no mercado tende a ficar para depois de 2030.
As unidades terão capacidade de processar 120 mil barris/dia de petróleo cada e até 12 milhões de m³/d de gás natural, que será exportado diretamente para venda, sem necessidade de tratamento adicional em terra.